sexta-feira, 5 de julho de 2013

A revolução verde contribuiu com a redução da fome?

Muito se fala de revolução verde e suas contribuições para o aumento da produção mundial de alimentos. No entanto, o que é revolução verde?



Uma revolução pressupõe uma mudança radical no contexto observado. Neste caso, é o processo de modernização da agricultura - isto é, a modificação do modo de produção agrícola - surge no século passado, a partir do pós-guerra, e pressupõe uso de inovações técnicas no manejo e a incorporação de uma linha de produção industrial, implicando do plantio, beneficiamento até a logística e seu transporte. 

No caso de ser possível afirmar a existência de benefícios na II GM, o desenvolvimento tecnológico foi um deles. O desenvolvimento das pesquisas químicas moldaram a avançada indústria química mundial como a conhecemos hoje, produzindo diversas substâncias, e isso incluiu os agrotóxicos (herbicidas, fungicidas, inseticidas) e os fertilizantes químicos. Desenvolveu-se também a indústria mecânica, com novas modalidades de veículos e equipamentos para a produção. [1]

Para que a revolução se torne completa foi preciso um conjunto de fatores: o desenvolvimento tecnológico, o capital e o interesse em sua capitalização. Consideramos então o fator chave: a iniciativa capitalista, que observando a potencialidade do mercado de alimentos, iniciou investimentos e modificação do modo de produção. No meu post anterior deixei subentendido o seguinte: há a incorporação do modelo capitalista na agricultura, implicando na modificação da lógica da produção, de abastecimento para a reprodução e acumulação de capital. Surge o que hoje conhecemos como agronegócio. Assim, grandes empresas serão envolvidas nesse processo nas décadas seguintes: Ford, Rockfeller, Unilever, Dupont, Bayer, Stauffer, Pfizer, Monsanto, Rhodia, etc. E assim, completa-se a configuração investimentos em pesquisa, tecnologia e mecanização, utilização de fertilizantes, irrigação, pesticida e, principalmente, sementes de alto rendimento. [1]

Dizem que o pai do agronegócio é Norman Borlaug, pela inserção de sementes geneticamente modificadas na agricultura, sendo pioneiro no cruzamento de sementes hibridas, o que propiciou o aumento da produtividade em diversos países e a redução dos níveis de insegurança alimentar [2]. O pesquisador e biólogo ainda ganhou um prêmio nobel por isso e originou um outro, o Prêmio Mundial de Alimentação (recebido também pelo ex-presidente Lula). Sem dúvida essa inovação propiciou o combate mais eficiente à fome mundial porque “[modificou] os elementos do processo biológico de produção que determinam o rendimento, a estrutura da planta, a maturação, a absorção de nutrientes e a compatibilidade com os insumos produzidos industrialmente.” [3] Em muitos países o aumento da produção gerou redução nos preços e estoques, fortalecendo o sistema alimentar de muitos Estados. 

No entanto, a discussão deve considerar que a agricultura capitalista apresentará implicações sociais, econômicas, comerciais e ambientais, pois, modifica o modo de produção na sociedade, decorrendo modificações estruturais na cadeia produtiva, de renda e comercial. A produção mundial saltou, no entanto, ela se tornou monopolizada e concentrada, não chegou a todas as regiões do mundo e nem abrange todos os produtores agrícolas de um país. Paralelo ao desenvolvimento agrícola e salto da produção agrícola, precisa-se desenvolver um suporte para reverter e combater a marginalização e as desigualdades sociais, que perpetuam a fome. 

O aspecto preocupante é a territorialização, isto é, propriedade dessas terras produtivas. Se é posse de grandes corporações, a terra produzirá para atender à demanda da indústria. Este é o modelo brasileiro, de latifúndios, mas produzimos para a exportação. A agropecuária não necessariamente deve ser extinta, mas sim discutida e modificada. A discussão atual já perpassa pela concepção de que a modernização da agricultura, por seu caráter exclusivo, suas modificações sociais e sua degradação ambiental, não apresenta caráter sustentável. Diante da necessidade de aumento da produção de alimentos para combater a fome a nível doméstico e internacional, a consideração da obrigação de se manter os níveis ascendentes de produção agrícola se faz imperativa. A política resposta para isso é a agricultura de cunho sustentável. [4] 

Os partidários da agricultura sustentável pressupõem uma produção que seja viável nos sentidos econômicos, sociais, ambientais e técnicos disponíveis na região, a conservação do solo, da água e a não modificação genética. Além disso, deve-se utilizar os recursos mantendo sua capacidade produtiva ao longo do tempo. [5] A agricultura pode ser sustentável a partir da modificação da posse da terra, 

Existem diversas iniciativas e propostas demonstram que sim, é possível obter aumento e eficiência da produção numa cultura sustentável. [4] Para que o campo e sua realidade se mantenham, a posse da terra deve ser não territorializada pelo capital monopolista, mas sim quando o dono da terra é o próprio camponês, porque isso abre a possibilidade de outras relações de trabalho como: trabalho familiar, posseiros, rendeiro e rentistas. Esses tipos de cultura é fortalecido quando em cooperativa e/ou com um acordo de fornecimento para a industria alimentícia, [1] mantendo benefício mútuo para a indústria e para a agricultura. 

Contudo, percebe-se que a consideração da modernização da agricultura deveria considerar os aspectos socioeconômicos e ambientais locais conjuntamente com o interesse nacional, a busca pela segurança e a soberania alimentar. Tudo para manter o equilíbrio necessário para o exercício importante do papel da agricultura no desenvolvimento nacional. Mas, na maioria das vezes a lógica do capital fala mais alto e a produção latifundiária se torna (no caso do Brasil, se mantêm) predominante. 

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