sábado, 21 de abril de 2018

Efeitos subcutâneos da retaliação chinesa em produtos agroalimentares dos EUA

O conflito comercial entre Estados Unidos e China prometido por Trump em sua campanha eleitoral começa a produzir seus primeiros hematomas. Washington golpeou duas vezes: elevou barreiras contra importações de aço e alumínio da China em 8 de março e adicionou mais US$ 50 bilhões em tarifas sobre diversos produtos chineses em resposta a violações de propriedade intelectual. Pequim revidou, em 2 de abril, com tarifas que vão de 15% a 25% para diversos produtos agroalimentares, com destaque para a soja. Em 5 de abril Trump lançou um jeb ameaçando impor tarifas adicionais de USD 100 bilhões em produtos chineses e em 10 de abril Xi sinalizou recuar ao declarar a intenção de diminuir tarifas para importação de carros, arrochar a proteção à propriedade intelectual e diminuir as restrições para serviços financeiros estrangeiros.

Muitas análises têm se concentrado na análise estatística dos impactos comerciais diretos para os EUA. Aqui, faço uma interpretação mais conceitual sobre os possíveis danos do troca-tapas proposto por Trump, focando no contragolpe chinês nas commodities agrícolas dos EUA.

Equivoca-se quem pensa que a China optou por retaliar produtos de baixo valor agregado.  As commodities agrícolas exportadas pelos Estados Unidos são, na verdade, o resíduo das operações que compõem os complexos agroindustriais. Corporações gigantes como Monsanto (biotecnologia), Dow (químicos), John Deere (máquinas agrícolas) e Cargill (trader e indústria alimentícia), entre outras, tem como seus melhores clientes os produtores agrícolas estadunidenses. Para comprar os insumos tecnologicamente avançados dessas empresas e produzir com seu padrão, os produtores precisam contrair empréstimos e não é incomum que os custos de produção superem o valor de venda das commodities. A solvência dos produtores é garantida pelos famigerados subsídios agrícolas da Farm Bill. Mas, um olhar mais profundo vai notar que, na verdade, o que os subsídios garantem é a capacidade de os produtores continuarem tomando empréstimos para comprar insumos sofisticados e produzir de acordo com os padrões das indústrias alimentícia e de rações. Além disso, como parte significativa das terras lavradas são arrendadas, os subsídios garantem também que os proprietários de terras receberão seu aluguel. Eles não geram riqueza para os fazendeiros.

A questão é que essa engrenagem só pode funcionar se o resíduo sumir do território nacional. Como pegaria muito mal queimar a soja em praça pública, ele precisa ser enviado ao exterior. Do contrário, ele se amontoará nos estoques privados e estatais, pressionando a baixa nos preços, aumentando custos logísticos e – mais grave – retirando a razão para o produtor investir e para o Congresso pagar os subsídios. Nesse cenário, as corporações perderiam os melhores clientes do mundo e os proprietários de terras os melhores inquilinos: os produtores agrícolas cujo fiador é o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos.

A voracidade da China por commodities agrícolas e alimentos é, significativamente, a salvação da lavoura americana: cerca de 60% das exportações de soja dos EUA vão pra China. O buraco negro do oriente traga para dentro de si parte considerável dos resíduos que o incrível potencial produtivo dos EUA libera – graças aos subsídios agrícolas. Nessa relação simbiótica e paradoxal, os maiores rivais comerciais do planeta unem a fome com a necessidade de exportar.

Porém, sinal dos tempos: nessa relação de interdependência específica, a assimetria parece maior do lado dos EUA. A China possui estoques estratégicos agroalimentares e pode rapidamente encontrar fornecedores alternativos mundo afora que não hesitarão em derrubar florestas para expandir a fronteira agrícola (não é, Brasil?). Os EUA, por sua vez, dificilmente encontrarão no mundo clientes que, somados, tenham um estômago do tamanho de um dragão em fase de crescimento. O mercado e os consumidores chineses podem ser sensíveis à interrupção do fornecimento americano, mas os americanos são potencialmente vulneráveis à perda de clientes chineses e, como ensinaram Keohane e Nye em Poder e Interdependência, o vulnerável tende a sofrer mais do que o sensível.

Aqui convém lembrar que Estado, corporações e produtores agrícolas são entes diferentes e sujeitos à constrangimentos estruturais peculiares. As corporações, com sua estratégia global, podem encontrar novos produtores alhures dispostos a comprar seus insumos para produzir e exportar para a China. Não são clientes tão bons quanto os americanos, pois não possuem o Departamento de Tesouro como fiador, não têm o dólar como moeda oficial, nem a estabilidade política e social da superpotência. Mas, market-share é market-share e, como dizem, na guerra urubu é frango. Já os produtores agrícolas, enraizados no território, precisam operar dali para fora. Não há alternativa. O Estado precisa fazer o meio de campo, sabendo que as corporações possuem alternativas no exterior e que se os produtores agrícolas perderem suas vendas, a conta de subsídios se eleva e – pior – pode haver calote dos fazendeiros junto aos bancos: o pesadelo do sistema. Além disso, como parte relevante do preço da terra tem a ver com o valor daquilo que se consegue produzir nela para vender, a diminuição das exportações poderá diminuir o valor da terra e isso afeta não só a capacidade dos produtores de se endividarem, mas também a própria solidez dos bancos, que têm nas terras agrícolas garantias para seus empréstimos agrícolas. As crises agrícolas dos anos 1910, 1930 e 1980 nos EUA foram crises de excesso de oferta e demonstraram o quão dependente a economia rural é dos ciclos de investimento e da solvência das fazendas. Isso compõe o que Willard Cochrane chamou, em livro de 2003, de “A maldição da abundância agrícola americana”.

Para posicionar melhor a questão do ângulo dos EUA, vejamos dois casos de outros países. Nos anos 1970, os EUA embargaram suas próprias exportações de soja para evitar o desabastecimento nacional. Um resultado não previsto foi o impulso japonês para a produção da soja no Brasil. O Japão, que dependia da importação de soja estadunidense, forneceu cooperação técnica e mercado consumidor para que o Brasil pudesse se tornar o maior concorrente dos EUA. E aqui estamos.

Nos últimos anos a Rússia tem imposto barreiras à importação de alimentos da União Europeia e dos EUA como retaliação às sanções que sofre do Ocidente. Moscou utiliza estrategicamente essas oportunidades para promover uma política de Agroindustrialização por Substituição de Importações e já mira a fase seguinte, a Agroindustrialização por Expansão de Exportações. Uma vez que o campo se converte em agroindústria de larga escala, não há saída além de exportar, como demonstram os casos dos EUA e do Brasil. Projeções indicam que a Rússia se tornará uma grande exportadora agroalimentar em breve e a proximidade com a China deve ser uma preocupação dos concorrentes, principalmente daqueles que precisam lidar com fretes trans-oceânicos.

O que os casos de Brasil e Rússia demonstram – sem grande novidade – é que quando as vendas de grandes fornecedores são interrompidas, não é incomum que surjam concorrentes dispostos preencher a lacuna. A questão, no caso agroalimentar, é que quando as vendas represadas são retomadas, amplia-se a pressão de queda nos preços e isso, no caso dos EUA, pode significar algumas coisas.

Primeiro, se os preços caírem mais, a renda dos produtores agrícolas diminui e isso pode incentivá-los a trocar soja por outras coisas commodities. Isso seria problemático para as indústrias fornecedoras de insumos (maquinário, químicos, sementes etc), que teriam seus planos de negócios afetados. Vejamos a lista de corporações gigantes que já manifestaram sua apreensão com a luta comercial: DowDuPont Inc, Archer Daniels Midland Co, Bunge Ltd, Exxon, Chevron, Monsanto. A dureza do golpe poderá ser medida pelo preço das ações dessas empresas. As ações da John Deere, por exemplo, caíram USD 10.

Segundo, a queda nos preços elevará a pressão por subsídios agrícolas. Sim, para salvar os produtores, mas também para aliviar os efeitos sobre os fornecedores de insumos. De fato, Trump sinalizou que está disposto a tomar medidas para proteger os produtores dos contragolpes chineses e absorver o impacto. A mensagem, tacitamente, se estende às corporações, proprietários de terras e bancos. O que poderia absorver o impacto? Provavelmente, mais subsídios agrícolas.

Terceiro, prevendo o fechamento do mercado chinês, os produtores agrícolas americanos podem migrar para outros produtos. O problema – inclusive para o resto do mundo agroexportador – é que isso poderá desviar comércio e baixar o preço de outras commodities, pelo menos durante uma fase de ajuste.

Enfim, para entender a retaliação chinesa aos produtos agroalimentares dos EUA, não basta apenas olhar para os hematomas aparentes. É preciso estar atento às prováveis hemorragias internas e à capacidade de Washington sustentar o combate.

Artigo originalmente publicado pelo OPEU - Observatório Político dos Estados Unidos em 19/04/2018
* Thiago Lima. Autor de O protecionismo agrícola nos Estados Unidos (2018), pesquisador do INCT-INEU e professor do Departamento de Relações Internacionais da UFPB.
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sábado, 14 de abril de 2018

5ª Jornada Universitária em Defesa Da Reforma Agrária – Paraíba

Estão abertas as inscrições para a 5ª Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária – Paraíba, que acontecerá entre os dias 20 e 24 de abril de 2018 em diferentes campus universitários do estado. O evento é gratuito e aberto ao público, tendo como objetivo garantir visibilidade à realidade da reforma agrária proporcionando debates sobre suas múltiplas dimensões, como o processo de criminalização sofrido pelas(os) trabalhadoras(os) implicadas(os) nessas lutas por direitos; a denúncia de situações de violência vivenciadas por tais trabalhadoras(es); as políticas direcionadas à educação do campo; os conflitos em torno da estrangeirização das terras no país; e os processos de Estado acerca da titularização e da privatização dos assentamentos da reforma agrária. Em caráter debatedor, na mesa “Estrangeirização da terra: impactos e resistência” do dia 23/04, o evento contará com a participação do Prof. Dr. Thiago Lima da Silva (UFPB) e sua orientanda Iale Pereira (UFPB).










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segunda-feira, 2 de abril de 2018

Fórum Social Mundial 2018 – “Resistir é Criar, Resistir é Transformar”, por Iale Pereira

Entre os dias 13 a 17 de março, a 13ª edição do Fórum Social Mundial 2018 sacudiu a capital baiana. Nascido em 2001 por organizações e movimentos sociais que se auto-convocaram e mobilizaram um grande encontro em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial nasceu em protesto ao movimento neoliberal representado pelo Fórum Econômico Mundial, que ocorria ao mesmo tempo em Davos, na Suíça. Depois de realizar suas primeiras edições na capital gaúcha, o FSM percorreu o mundo em edições temáticas, regionais e continentais em Mumbai, Caracas, Karashi, Bamako, Nairobi, Belém, Dacar, Tunis e Montreal. Após nove anos, o FSM voltou ao Brasil na retaguarda de anos promovendo intensos debates sobre o futuro dos movimentos de resistência contra o avanço das forças neoliberais ao redor do mundo e, pela primeira, teve sua edição no Nordeste.

O Fórum Social Mundial é um espaço, não governamental e não partidário, de dimensões internacionais, aberto ao pluralismo e à diversidade de engajamentos, que tem como objetivo promover um encontro de entidades, redes e movimentos da sociedade civil mundial que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo.  O evento propõe uma contraposição ao processo de globalização comandado pelas grandes corporações multinacionais, apoiados por governos nacionais e instituições internacionais, a serviço de seus interesses, visando o prevalecimento de uma globalização solidária que respeite os direitos humanos universais e o meio ambiente.

Desse modo, o Fórum constitui-se como um espaço de articulação diversificado que estimula a discussão democrática de ideias; o fortalecimento e criação de articulações nacionais e internacionais; o aprofundamento da reflexão sobre os mecanismos e instrumentos da dominação do capital; a formulação de propostas sobre os meios e ações de resistência e superação dessa dominação; a troca livre de experiências e a articulação para ações eficazes; e as alternativas propostas para resolver os problemas de exclusão e desigualdade social, criados pelo processo de globalização capitalista, com suas dimensões racistas, sexistas e destruidoras do meio ambiente.

Em Salvador, no dia 13 de março de 2018, o Fórum começou pela manhã com uma grande movimentação para o credenciamento dos participantes no Campus Ondina da Universidade Federal da Bahia. Com o tema “Povos, territórios e movimentos em resistência” e o slogan “Resistir é criar, resistir é transformar”, o Pavilhão de Aulas da UFBA era uma grande mistura de sotaques e aparências. Ainda pela manhã, integrantes do Coletivo Brasileiro do Fórum Social Mundial 2018 e do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial realizaram uma coletiva de imprensa. Mais de 120 países estavam representados no evento e mais de 1.500 coletivos foram inscritos, além de organizações e entidades. Pela tarde, a Marcha de Abertura saiu da praça Dois de Julho, no Campo Grande até a praça Castro Alves, reunindo organizações e movimentos de todo o mundo e abrindo, oficialmente, as atividades do Fórum Social Mundial 2018.

No dia 14 de março, o evento se seguiu com atividades simultâneas nos diversos campus da UFBA, assim como em outros locais da capital baiana, como o Parque do Abaeté e de Pituaçu, a Universidade Estadual da Bahia, e nas periferias, onde estão sediadas as associações, sindicatos, e os prédios públicos da cidade. As atividades do Fórum giraram em torno de 19 eixos temáticos, sendo eles: Ancestralidade, Terra e Territorialidade; Comunicação, Tecnologias e Mídias livres; Culturas de Resistências; Democracias; Democratização da Economia; Desenvolvimento, Justiça Social e Ambiental; Direito à Cidade; Direitos Humanos; Educação e Ciência, para Emancipação e Soberania dos Povos; Feminismos e Luta das Mulheres; Futuro do FSM; LGBTQI+ e Diversidade de Gênero; Lutas Anticoloniais; Migrações; Mundo do Trabalho; Paz e Solidariedade; Povos Indígenas; Um Mundo sem Racismo, Intolerância e Xenofobia; e Vidas Negras Importam.

No segundo dia, assim como nos subsequentes, a programação diária estava dividida em torno da realização de Atividades de Convergências, realizadas geralmente no período da manhã, com o intuito de ampliar a resistência de organizações e movimentos que englobassem pelo menos três causas e com a participação de lideranças de pelo menos 3 países; de  Atividades Autogestionadas, que tratavam-se de oficinas, seminários, conferências, debates, apresentações culturais, rodas de diálogos, etc., realizadas sob responsabilidade de coletivos, organizações e/ou entidades; e, por fim, de Atividades Político-culturais. Entre as atividades de maior destaque, no dia 14 foram realizados o Tribunal Popular para Julgamento dos Crimes de Feminicídio contra as Mulheres Negras e a Assembleia Mundial da Juventude.

Já no dia 15 de março, a morte de Marielle Franco, que ocorreu na noite do dia anterior, transformou os eventos seguintes em um grande ato pela memória da vereadora. Em marcha, cerca de cinco mil participantes do FSM saíram às ruas para protestar contra sua execução e o genocídio da população negra. Dentre as atividades, o ponto alto foi a Assembleia Mundial em Defesa da Democracia, iniciada com homenagens a Marielle e a Anderson Gomes. O evento contou com a presença dos ex-presidentes Lula, Dilma, Lugo (Paraguai), Mujica (Uruguai), Manuel Zelaya (Honduras), o deputado francês Eric Coquerel (Parti de Gauche), Makota Celinha (Centro Nacional de africanidade e resistência afro-brasileira), a deputada e pré-candidata à presidência pelo PC do B, Manuela D’ávila, o governador da Bahia Rui Costa, as senadoras Lídice da Matta (PSB) e Gleisi Hoffman (PT), o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, a presidente da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), Lorena Peña, o filósofo do Congo Godefroid Ka Mana Kangudie, dentre outras lideranças.

No quarto dia do Fórum, logo pela manhã, a Assembleia Mundial de Mulheres convocou as mulheres presentes no Fórum para dedicar um momento à ampliação da visibilidade e força das lutas dos movimentos femininos, reconhecendo a urgência da defesa aos direitos das mulheres no mundo. Nenhuma outra atividade do evento foi inscrita no mesmo horário com o intuito de possibilitar a presença de todas, e os protestos em memória à Marielle Franco prosseguiram. Outro evento de destaque do dia 16 foi a Assembleia Mundial dos Povos, Movimentos e Territórios em Resistência, tendo como objetivo agregar esforços às agendas de lutas e ações globais por melhores condições de vida no mundo. Por fim, na noite do mesmo dia, houve o Ato Político-cultural Rumo ao FAMA com o objetivo de ampliar a visibilidade do Fórum Alternativo Mundial da Água, realizado em Brasília após o FSM.

O último dia do evento foi marcado pela realização da Ágora dos Futuros, um espaço dedicado à construção e alianças e fortalecimento de resistências, onde as propostas de incidência pós-Fórum foram compartilhadas por meio de rodas de diálogo, cartazes, manifestações artísticas, etc. Por fim, às 12h, ocorreu o Cortejo Cultural que simbolizou o encerramento do Fórum Social Mundial 2018 com manifestações culturais de todo o mundo.

Como minha primeira experiência no Fórum, percebi logo de cara, e também com certa estranheza, a forma como as coisas estavam sendo organizadas. No cadastramento esperei receber uma agenda com as atividades e suas devidas localizações, mas, para minha completa surpresa, não havia nenhum mapa e a programação só foi liberada online no decorrer do primeiro dia. O funcionamento do evento em si, espalhado pela cidade, foi um grande desafio e fui logo sentindo a dificuldade em encontrar os locais onde estavam sendo realizadas as ações. Nas atividades que estavam sendo realizadas dentro do campus Ondina da UFBA, era quase impossível conseguir as informações necessárias para se chegar aos locais: algumas placas que foram espalhadas indicavam o caminho errado e o comitê organizador parecia mais desinformado que os próprios participantes. Fora dele, ao redor da cidade, dependíamos inteiramente da internet para descobrir como chegar aos locais combinados. 

Uma das mesas das quais decidi participar, “A Crise Capitalista e o Sistema da Dívida na América Latina e Caribe”, que fora, de acordo com o próprio evento, organizada pela Auditoria Cidadã da Dívida, nem chegou a existir. Quando cheguei no local o pessoal da organização informou que os palestrantes da mesa nem sequer haviam aparecido. Também não encontrei nenhuma atividade no lugar onde estava sinalizado o banner da tenda da “Democratização da Economia”, onde, pela lógica, deveriam ocorrer tais debates que me interessavam. Como de praxe, ninguém do comitê conseguia me informar sobre nada. Por sorte, em vários momentos, encontrei alunos da UFBA que nada tinham com a organização do evento, mas que estavam ajudando os participantes a encontrarem os devidos locais.

O evento me marcou em relação à forma de organização das Esquerdas. A maioria das atividades do Fórum funcionaram com o esforço de cada entidade, rede e movimento da sociedade que foi capaz de se organizar por conta própria e propor sua própria agenda. Ao mesmo tempo, comecei a perceber que parecia ser um pouco ingênuo esperar que o FSM fosse um evento organizado tão quanto um acadêmico, uma vez que este tem como proposta ser um movimento amplo e progressista, acolhedor de ações nacionais e internacionais. Apesar de me sentir perdida num primeiro momento, logo soube aproveitar a paisagem anárquica. Foi fantástico ver a quantidade de gente reunida que compartilhava dos mesmos ideais e que falava tantos idiomas diferentes. Com um pouco de disposição e otimismo fui capaz de entender sua dinâmica e penetrar no fluxo coletivo em busca de novo futuro. Hoje me sinto profundamente agradecida por ter tido a oportunidade de participar Fórum Social Mundial 2018 em Salvador e por ter me tornado mais próxima às lutas globais que defendem o direito de existir das maiorias, e que assim nos humanizam.

Informações e dados retirados do site oficial do Fórum Social mundial
<https://wsf2018.org/>. Acesso em 27 de março de 2018.

Iale Pereira
Graduanda do curso de RI da UFPB. Integrante do FomeRI.
27 de março de 2018.
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